O pensamento lateral nasce também junto das ondas havaianas mas qual é o procedimento em base?

Hoje falaremos de pensamento lateral: resolver um problema de forma original, identificando novos caminhos e soluções até aquele momento invisíveis. Trata-se de eventos inesperados ou da maturação de um processo de pensamento coligado a um mindset baseado na correta gestão daquilo que é definido como fluxo?

Para buscar uma resposta, daremos um salto ao passado, até a 2011, a Jaws Beach nas ilhas Hawai, onde as ondas são altas e barulhentas: mais de 15 metros. Ian Walsh estava se desafiando, com o objetivo de ficar em pé sobre a prancha até o último momento possível, deixando a onda atingir seu ápice antes de fazer o típico movimento explosivo com seus pés. Mas na hora “H”, nada aconteceu.

A onda era alta e imponente, enquanto Walsh permanecia suspenso na projeção, empoleirado sobre o abismo. “Estava realmente atrasado”, contou em seguida. “Quando saltei em pé, a onda parecia já além de vertical. O vento soprava com tanta força que eu precisei agarrar a borda da prancha com a mão direita para não perder o equilíbrio.”

A ideia de ficar preso à borda, utilizando como remo o outro braço, deu certo. Com o seu peso avançado, a ponta começou a descer, seguida de todo o resto da prancha de surf. Começou a cair direto, uma queda feroz, de contragolpes e rebotes, com a ponta que oscilava, em velocidade máxima.

No último instante, Walsh conseguiu retomar o controle, estabilizando-se. Ele mergulhou profundamente, girando sobre a parte baixa da onda para encontrar uma ótima linha de percurso: algum rápido corte de direção, para depois encontrar uma posição estável ao centro.


A janela para a ação de approach se fechou: Welsh passou alguns segundos dentro da típica forma de tubo da onda, para depois ser cuspido fora e lançado de sua prancha. Mas àquele ponto não importava mais: o objetivo fora alcançado. No curso desses poucos instantes, Walsh havia derrubado um século inteiro de estratégia de surf, realizando o impossível. Havia de fato executado o movimento que ficou conhecido com o temo “paddling” dentro de uma tipologia de onda até aquele momento off-limit para qualquer um.

O paddling hoje se tornou o modo no qual os surfistas afrontam as ondas mais imponentes.
Welsh havia dado vida a um paradigm shift, uma mudança de paradigma: uma mudança importante que ocorre quando o modo usual de pensar ou fazer alguma coisa vem completamente derrubado.

Em vez de se limitar a gerir a situação com o mero uso da força, Walsh seguiu uma estratégia completamente diferente: ele “lateralizou”. De que coisa de trata exatamente: em termos técnicos, Walsh buscou superar o obstáculo indo além do seu patrimônio base de competências.

A lateralização não é o único modo de mudar um paradigma pré-definido, mas em situações dinâmicas, frequentemente é a única opção para seguir em frente. Cedo ou tarde, tem sempre um obstáculo mental que não se consegue superar, uma decisão muito perigosa para ser tomada de modo tradicional.

Em tais contextos, é necessário tentar ir em frente na transversal.

A isto podemos adicionar que, nos dias de hoje, a lateralidade representa o modo em que se vão muitíssimas coisas, em particular no âmbito da inovação. Sheryl Sandberg, diretora operativa do Facebook, escreveu em seu livro Lean In que as carreiras profissionais são mais parecidas a um trepa-trepa que a uma escada. Provavelmente, ela não está muito errada.

As estatísticas podem variar, mas hoje, nos Estados Unidos, uma pessoa troca de trabalho sete vezes entre os dezoito e os quarenta anos.

Mas a coisa mais importante é viver o estado de flow, conseguindo ter ao mesmo tempo a capacidade de se concentrar no momento, as únicas situações que se encontram durante a dinâmica de fluxo. A lateralização permite manter um impulso semelhante, independentemente das circunstâncias.

Saber manter o momento durante o transcorrer usual dos eventos, torna-se quase uma forma de arte marcial invisível. Uma situação típica nos atletas de sucesso.


Walsh afrontava as ondas de Jaws Beach desde menino. Primeiro as ondas de 3 metros, depois 6, 9, sempre mais altas: em tudo desafiando limites, acidentes, medo e, às vezes, até a morte. Ao fazer tudo isso, afinou as próprias capacidades, tornando-se mais forte e hábil. Um curso acelerado e autodidata em hidrodinâmica, meteorologia, mecânica do corpo, mas também gestão de fluxo.

De certo, olhando os eventos que representam um paradigma shift, muitos entre nós não pensam em todos esses detalhes. Não chegamos a perceber a contínua e constante evolução das competências, nem o momento: todos os detalhes daquela arte marcial invisível da qual falávamos acima. Sintimos falta dos termos de comparação.

Assim, quando olhamos as ondas gigantescas de Jaws, somos raptados pela sensação de medo e desconforto: os sentimentos que a evolução de nossa espécie nos programou para ter. Mas não são as mesmas sensações experimentadas por Ian Walsh. Para ele, segundo as suas palavras, era como “uma jornada normal de trabalho no escritório”.O que podemos aprender com tudo isso?

Conseguir trabalhar em estado de fluxo é a melhor garantia de obter resultados contínuos no tempo, às vezes ainda que não percebamos o esforço de tudo isso. Se além de gerenciar o fluxo, nos tornarmos capazes de viver no momento, a próxima mudança de paradigma poderá partir de nós mesmos.

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